NO CAMINHO ENTRE DOIS HÁ TUDO QUE ATRAVESSA


Artista paulista de ascendência chinesa, Mônica Chan apresenta uma produção plasticamente muito rica que abriga, de maneira generosa e poética, sua relação com o Tempo. Aqui, um tempo não cronológico, manifestado como ordem natural do universo a partir da ótica da sabedoria individual adquirida na vivência com o mundo. Esta noção de tempo, relacionado ainda a sua identidade de ascendência chinesa, pode ser atrelada às cosmogonias orientais que se aproximam dos conceitos de “Tao” ou “Dao”: palavra chinesa que carrega um conjunto de sentidos metafóricos e filosóficos que organizam a leitura da vida, de maneira geral, longe do cartesianismo ocidental. 

Apresentando uma variedade de interpretações na língua chinesa antiga e moderna,   (“Tao” ou “Dao”) significa, em seu uso cotidiano, estrada, canal, caminho e rota. Já pelo sentido filosófico, o conceito traz percepções de como vivenciamos a ordem universal do tempo e do universo, e que por sua natural complexidade, carrega interpretações e qualidades indescritíveis às linguagens humanas. Seus princípios, portanto, são alcançáveis  apenas pelo conhecimento experienciado através da vivência com o mundo e por sua observação. 

Na mirada sobre a produção de Chan, é possível identificarmos a manifestação e a busca por esta observação do mundo, mesmo que não circunscritos de maneira direta. Elaborando plasticamente sua experiência de vida, a artista constrói imagens constituídas por um sentimento de imensidão, o mesmo vivenciado ao olharmos para um horizonte, convidando o espectador a mergulhar em seu próprio universo de reflexão e silêncio. Este sentimento elabora os procedimentos poéticos da artista, onde dentro e fora, passado, presente e futuro, se sobrepõem como véus translúcidos. Organizando em camadas paisagens, memórias e objetos, fragmentos que orientam sua experiência, a artista borra limites e compartilha sua intimidade com o universo ao seu redor. 
no caminho entre dois está tudo que atravessa” Mônica faz um convite ao público para adentrar nas paisagens internas e externas de seu universo simbólico, construindo rotas e caminhos () imagéticos, atravessados por sua experiência singular, mas que encontram ecos nos horizontes internos de quem entra em contato com sua obra.

Curadoria: Clarissa Ximenes