NAS QUEBRADAS DO MUNDARÉU


Exposição que emprestou o nome do disco homônimo produzido pelo escritor e teatrólogo Plínio Marcos em 1974, Nas quebradas do Mundaréu foi o primeiro movimento a tornar pública uma pesquisa em processo, iniciada ao final de 2020. Essa pequena mostra reuniu registros multimídias que recontavam a importância histórica da Barra Funda como território negro e por consequência, berço e palco de manifestações culturais dessa população, tendo como mais importante delas neste contexto, o samba.  

Como reduto negro no início do século XX, a Barra Funda carrega em seu DNA as histórias do Largo da Banana como importante referência no processo de construção do que hoje conhecemos como carnaval. Marco zero do samba paulista, o Largo foi local de nascimento de articulações culturais que levaram ao surgimento das primeiras organizações carnavalescas, que se contrapunham ao carnaval veneziano e europeu dos corsos e salões da elite, popularizando a festa e trazendo a ela o samba. 

Dessas organizações – desde então formadas como espaços políticos, mobilizando moradores e proporcionando uma construção comunitária de resistência cultural e simbólica – nasceram os primeiros cordões carnavalescos na década de 1920, marcando a tradição do carnaval de rua do bairro e de outros territórios negros da cidade. O primeiro cordão de São Paulo – Cordão Carnavalesco da Barra Funda – foi a célula inicial do que veio a se tornar posteriormente Grupo Carnavalesco Camisa Verde e Branco e depois a Escola de Samba Camisa Verde e Branco.

Devido à proximidade do BANANAL ao Largo da Banana, Nas quebradas do mundaréu veio somar às ações e desejos do espaço em desenvolver projetos com e para as coletividades que fazem parte da história da Barra Funda, firmando nosso compromisso como espaço que valoriza a preservação da memória e do patrimônio cultural e humano de grupos que fizeram e fazer o bairro ser culturalmente tão rico.. 

ORGANIZAÇÃO E PESQUISA: Clarissa Ximenes