Em consonância à prática artística do Foi à Feira, que se orienta pelo interesse em explorar as transformações de espaços urbanos e não urbanos em relação à sua história e memória, a obra apresentada na exposição coletiva E se nada houvesse entre nós, apresentou um exercício imagético de remontar e recontar a ausência da figueira branca que havia sido recentemente retirada da praça Vicente Celestino, localizada em frente ao BANANAL.
Esgotamento do lembrar ou metodologias para se esquecer de uma árvore aconteceu em dois momentos: a instalação, que remontava essa árvore de maneira simbólica e cirúrgica no espaço expositivo; e a projeção de um vídeo em um inflável que construía uma historiografia visual dessa árvore. A primeira, que apresentava uma instalação com partes da figueira de mais de 60 anos, quase num gesto de análise sua anatomia simbólica, estabelecia uma relação entre a materialidade concreta e a organicidade da própria árvore. Junto à instalação, um vídeo e áudio ficcional contava a história desta figueira. Já a projeção, realizada sobre uma tela inflável e permeável instalada na Praça em colab com o coletivo Inflou Inflou, mostrava os registros de corte da árvore, excertos de documentários sobre a história do Largo da Banana, registros de frequentadores do BANANAL quando ela ainda estava viva, imagens do google maps entre outros.









