E SE NADA HOUVESSE ENTRE NÓS


Como gesto coletivo inundado pela experiência de se compartilhar um mesmo espaço e sonho, E se nada houvesse entre nós reuniu obras que surgiram de dinâmicas por vezes silenciosas, vezes estrondosas, das relações e trocas que se estabelecem neste campo coletivo – o BANANAL – há um ano. Deslocando-se da cidade para uma experiência não-urbana proposta pela Residência das Plantas, estes artistas emergiram num ambiente incomum para ressocializar e ressignificar formas de estar em coletividade, produzir e refletir, juntes e singularmente.

A Silo Arte e Latitude Rural – laboratório artístico-ambiental localizado na APA da Serrinha do Alambari (RJ) – foi palco para abordagens diferenciadas dentro das práticas de cada artista, que se propuseram a explorar as relações entre corpo, território e paisagem, observando as fronteiras que se instituem do deslocamento do urbano para a floresta. Sendo agentes observadores e observados pelo tempo e por outras formas de vida, os corpos destes artistas vivenciaram uma travessia, onde romperam-se as bordas entre a cidade e a floresta, entre o eu e o outro, entre o humano e o não-humano.  

Das tensões e potências que surgem a partir da dissolução dessas linhas limítrofes, E se nada houvesse entre nós reúne um conjunto de obras inéditas que incorporam as experimentações propostas individualmente e coletivamente ao longo da imersão, que tanto exploraram as linguagens, pesquisas e práticas artísticas de cada um, quanto a escuta atenta para com o território e para com a coletividade. 

Exaltando a potência do fazer junto e em diálogo com a pluralidade de vozes que compartilham e se relacionam com esse espaço, a mostra comemorativa de um ano do BANANAL se manifesta como gesto de celebração de um corpo coletivo que revisa, reescreve, fala, cria, vive e está sempre em expansão, onde as linhas de fronteiras são rompidas e onde o novo sempre nasce.

Curadoria: Clarissa Ximenes